Aprendizagem social no trabalho: Como as empresas estão criando conhecimento em Rede
6/18/20253 min read


Se existe algo que a experiência no ambiente de trabalho nos mostra é que muito do que se aprende não vem somente de meios formais, como cursos e treinamento, mas das interações diárias com colegas, líderes, clientes e parceiros. Essa é a essência da aprendizagem social: o conhecimento que circula entre pessoas, nos desafios compartilhados, nos erros enfrentados juntos ...e que, muitas vezes, transforma mais do que qualquer PowerPoint.
O conceito foi aprofundado por Etienne Wenger, em 1998, ao propor as Comunidades de Prática: grupos que se formam dentro das organizações com base em interesses, desafios e aprendizados comuns. Nessas comunidades, os colaboradores compartilham experiências, trocam ideias, criam soluções e aprendem de forma viva, colaborativa e contínua.
Jane Hart, pesquisadora e referência em aprendizagem no local de trabalho, reforça essa visão ao dizer que “as pessoas aprendem no fluxo do trabalho, umas com as outras, todos os dias — e isso precisa ser reconhecido como parte da estratégia de desenvolvimento.” A McKinsey, em seu relatório de 2021 sobre social learning, aponta que a aprendizagem entre pares pode ser até 70% mais eficaz do que métodos convencionais.
Aplicar a aprendizagem social nas empresas começa por reconhecer que o conhecimento não se limita às salas de treinamento, mas está presente nas interações diárias entre os colaboradores. Para isso, é essencial criar espaços intencionais de troca, como grupos de estudo, cafés com conhecimento, rodadas de boas práticas e mentorias entre pares. A empresa pode estimular essas conexões ao mapear talentos internos, promover encontros regulares e criar ambientes seguros para que as pessoas compartilhem experiências, dúvidas e aprendizados sem medo de julgamento.
No mesmo ano que o conceito estava nascendo, mas sem ciência dele, no meu primeiro emprego, sugeri à organização em que trabalhava a criação de um grupo de integração entre os setores. A ideia era gerar conhecimento sobre o que cada área fazia e quanto tempo cada processo demandava. Parece simples, mas esse movimento gerou mais entendimento sobre prazos e, principalmente, mais empatia e organização nas trocas e pedidos entre os setores. Hoje vejo o quanto aquela ação já era uma semente de aprendizagem social naquela organização.
Quando essa prática se estende para além dos muros da organização, o impacto se multiplica. Ao envolver comunidades externas, como escolas, ONGs, associações de bairro ou pequenos empreendedores locais, a empresa transforma o conhecimento interno em valor social compartilhado. Profissionais podem atuar como mentores comunitários, facilitadores de oficinas ou participantes de projetos colaborativos, criando uma ponte entre o saber corporativo e as necessidades reais da sociedade. Assim, a aprendizagem social se torna também aprendizagem com propósito, promovendo inclusão, desenvolvimento local e fortalecendo o papel da empresa como agente de transformação positiva.
No Brasil, esse movimento tem ganhado força. Seguem alguns exemplos:
Ambev, com suas comunidades de aprendizado colaborativas entre líderes e equipes e grupos internos de troca.
Saiba mais em Ambev (Programa Voa)Unilever, que criou o projeto Universidade Unilever, com foco em troca entre pares, lideranças e mentores internos, promovendo peer learning de forma estruturada.
Saiba mais em Unilever (Programas de incentivos)Globo, que vem promovendo Cafés com Conhecimento e comunidades internas em áreas como inovação, diversidade e tecnologia, estimulando o compartilhamento orgânico de experiências.
Saiba mais em Globo (Notícias)
Essas ações demonstram que construir ambientes de aprendizado vivo, orgânico e horizontal se tornou parte da estratégia de grandes empresas no Brasil, integrando colaboradores ao centro do processo formativo.
Promover comunidades de aprendizagem internas não é apenas tendência, é visão de futuro. Fortalece a cultura organizacional, aumenta o engajamento e valoriza o capital humano da empresa. Mais do que isso, gera pertencimento — e pertencimento também ensina. Sem contar no formação cidadã, no sentimento de dever cumprido e de resposta à sociedade.
Se você deseja aplicar essa estratégia com seu time, entre em contato! Podemos desenvolver um treinamento personalizado para construir uma trilha de aprendizagem interna, ou até conectada com a comunidade. Afinal, compartilhar conhecimento é uma das estratégias mais poderosas de aprendizagem. Mas isso… é assunto para outro texto.
Para saber mais:
FREITAS, Denise Pires; AGUIAR, Ana Paula Pimenta de. Comunidades de prática como estratégia de aprendizagem organizacional: um estudo em empresas brasileiras. Revista de Administração Mackenzie, São Paulo, v. 9, n. 4, p. 143-165, 2008.
HART, Jane. Modern Workplace Learning: A resource book for L&D. 6. ed. United Kingdom: Centre for Learning & Performance Technologies, 2022.
MCKINSEY & COMPANY. Social learning: Developing employees through interactions. 2021.
WENGER, Etienne; MCDERMOTT, Richard; SNYDER, William M. Comunidades de prática: aprendendo no coração das organizações. Porto Alegre: Bookman, 2002.


